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Síndrome geniturinária, pesadelo da menopausa

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Para especialista, apenas entre 5% e 15% das mulheres relatam os desconfortos que enfrentam “A síndrome geniturinária da menopausa é a condição mais frequente que se vê no consultório e, ainda assim, não recebe a devida importância”, afirmou a médica Rachel Rubin, urologista, especialista em medicina sexual e professora da Georgetown University. Ela era uma das participantes do 23º. Congresso da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, realizado na semana passada em Miami, que acompanhei on-line. Para quem não ligou o nome ao pesadelo que é vivido pela grande maioria das mulheres, trata-se do conjunto de sinais e sintomas decorrentes da baixa de estrogênio no organismo, trazendo grande impacto na função sexual e qualidade de vida.
Rachel Rubin, urologista, especialista em medicina sexual e professora da Georgetown University
Divulgação
Como resumiu a palestrante, “saúde sexual é saúde”, ou seja, ninguém deveria achar que não há nada a fazer a não ser conviver com o desconforto – como também frisei em meu livro, “Menopausa: o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida”. Portanto, se seu médico acha que você deve suportar os dissabores sem tomar providências, está na hora de buscar outro profissional. Para a doutora Rubin, a terapia hormonal da menopausa, ou simplesmente reposição hormonal, não deveria ser encarada com o preconceito que persiste entre os médicos. Sem o estrogênio, diminuem o fluxo sanguíneo e a vascularização, com perda da elasticidade da mucosa e o adelgaçamento do epitélio vaginal. Resultado: ardência, ressecamento, coceira, dor na relação sexual e ao urinar, sangramento depois do sexo, maior frequência e até urgência para urinar, além de infecções urinárias recorrentes. Ela enfatizou o risco das infecções urinárias para mulheres mais velhas, que podem levar a complicações e hospitalizações. Na sua avaliação, desde que sob supervisão, a reposição deveria ser para toda a vida:
“Os hormônios são nossa fundação, não importa quão bonita é a mobília se essa fundação não é forte. É fundamental para a qualidade de vida de qualquer mulher acima dos 50 anos”.
Para quem não pode fazer uso da reposição, há inovações tecnológicas para o tratamento da atrofia vulvovaginal, como o laser e a radiofrequência que, no entanto, têm a desvantagem do custo alto. As demais opções são tópicas, como hidratantes vaginais e lubrificantes. A urologista Barbara Chubak, do Mount Sinai Hospital, sugeriu que todas as mulheres deveriam ser avaliadas para questões sexuais, porque elas estão subjacentes a outras queixas:
“De 40% a 50% apresentam alguma sintomatologia, mas apenas algo entre 5% e 15% relatam os sintomas, ou seja, há uma enorme subnotificação e todo o mal-estar que acompanha o quadro não é considerado”.
Ela citou reportagem recente do jornal “The New York Times” cujo título era: “Metade do mundo tem um clitóris. Por que os médicos não o estudam?” (“Half the worl has a clitoris. Why don´t doctors study it?”) e disse que cabe ao médico introduzir o assunto. O questionário “Female sexual function index” (FSFI), por exemplo, dispõe de 19 perguntas sobre a qualidade da vida sexual, cobrindo tópicos como com que frequência a mulher sentiu desejo nas últimas quatro semanas; se ficou satisfeita com a excitação obtida; se a lubrificação foi difícil; e se chegou ao orgasmo. Conversa obrigatória no consultório.
A urologista Barbara Chubak, do Mount Sinai Hospital: “apenas algo entre 5% e 15% das mulheres relatam os sintomas”
Divulgação

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