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Idosos são protegidos por um seguro de cuidados

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Somente Japão, Coreia do Sul e Alemanha dispõem de mecanismo para assegurar serviços a quem tem mais de 65 anos Alemanha, Coreia do Sul e Japão são as únicas nações que dispõem de um seguro de cuidados de longo prazo para idosos. Implementado em 2000, este foi um divisor de águas em termos de saúde pública para os japoneses e é o tema da segunda reportagem da série sobre como o país lida com o envelhecimento da sua população. A partir dos 40 anos, todos pagam o seguro de cuidados e, ao fazer 65 anos, a pessoa passa a ter direito a inúmeros serviços que garantam uma velhice digna. A lista é enorme: ajuda nas tarefas domésticas e atendimento de enfermagem no domicílio; empréstimo de equipamentos, como cadeiras de roda e camas; acesso a centros-dia – conhecidos como “day service” – que oferecem banho, reabilitação e atividades para melhorar as funções físicas e mentais; vagas em instituições de longa permanência.
Takahito Tomiyama: diretor dos programas voltados para o envelhecimento da população de Tóquio
Mariza Tavares
O idoso se inscreve e um comitê de avaliação do município determina os serviços a que terá direito. Mesmo ao completar os 65 anos, idade em que está habilitado a usufruir do benefício, o desconto continua sendo feito em sua pensão. Ryo Urabe, conselheiro do Ministério de Saúde, Trabalho e Bem-estar, afirma que quem tem baixa renda ganha subsídios e reembolso:
“A maioria necessita apenas de cuidados de média complexidade, e o seguro evita a hospitalização crônica, que consome recursos e sobrecarrega o sistema de saúde”.
Alguns números ajudam a contextualizar a importância da medida: a expectativa de vida dos 126 milhões de japoneses é de 85 anos. Desse total, 36 milhões têm mais de 65 anos (o equivalente a 29% da população) e o contingente acima dos 75 já soma 19 milhões. Ao todo, quase 7 milhões se beneficiam com os serviços fornecidos pelo seguro. Takahito Tomiyama é diretor dos programas voltados para o envelhecimento da população de Tóquio, cidade com mais de 3 milhões de idosos. Do estratosférico orçamento de 5.8 trilhões de ienes (222 bilhões de reais) da cidade, 261 bilhões de ienes – o equivalente a R$ 10 bi – são destinados para idosos. Seu desafio é alocar recursos não somente para os que necessitam de atenção, mas também investir na prevenção para os que estão bem:
“O sistema de cuidado é abrangente, independe de a pessoa estar precisando. Uma das nossas preocupações é manter a saúde física e mental de todos. Atualmente, 12% dos idosos moram sozinhos e o percentual passará dos 15% em 2040. Temos que possibilitar a reforma e adaptação das moradias, garantir entrega de comida em casa e apoiar os centros comunitários para mantê-los ativos. Além disso, em 2025 haverá um déficit de 31 mil cuidadores em Tóquio. Precisamos investir em tecnologia e melhorar seu ambiente de trabalho, para reter a mão de obra”.
Reiko Hayashi, vice-diretora geral do Instituto Nacional de Pesquisas sobre População e Seguridade Social: diminuição do peso do cuidado dos ombros das mulheres
Mariza Tavares
Reiko Hayashi, vice-diretora geral do Instituto Nacional de Pesquisas sobre População e Seguridade Social, é uma defensora fervorosa do seguro que, desde a sua implementação, conseguiu aliviar um peso que caía sobre os ombros das mulheres: “pela tradição japonesa, as noras deveriam cuidar dos sogros, mas o seguro transferiu a responsabilidade para a assistência social. Desde 2000, quando foi criado, o número de cuidadoras familiares caiu pela metade, ou seja, conseguimos liberar essas mulheres”.
E vem mais por aí: até 2025, será implementada uma estrutura batizada de Sistema de Cuidados Integrados à Comunidade, para evitar que os idosos tenham que fazer grandes deslocamentos para receber atendimento.
A colunista viajou a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão

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