documentarista-registrou-o-suicidio-assistido-do-pai

Documentarista registrou o suicídio assistido do pai

documentarista-registrou-o-suicidio-assistido-do-pai


O que seria um arquivo familiar se transformou num memorial que ganhou as telas ao discutir o fim da existência Ondi Timoner é uma festejada documentarista norte-americana, vencedora duas vezes do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance. No entanto, sua mais recente obra traz um registro bem diferente dos trabalhos anteriores: quando o pai fez a opção pelo suicídio assistido, ela decidiu que filmaria a despedida para, como contou ao jornal “The New York Times”, guardar um pouco dele: “entrei em pânico, não conseguia imaginar perder o homem mais importante da minha vida e queria preservá-lo de alguma forma”. A escolha do patriarca de 92 anos, vítima de doença terminal, foi amparada pela California End of Life Option, lei existente desde 2016. A mulher, Lisa, e os três filhos seguiram o protocolo que acompanha o procedimento e tem a duração de 15 dias, durante os quais ele confirmou suas intenções, foram feitas inúmeras reuniões por Zoom com os amigos, até a preparação do coquetel de drogas que parou o coração de Eli Timoner. Ondi documentou tudo no filme “Last flight home”, em cartaz nos EUA.
Cena do documentário “Last flight home”
Divulgação
A cineasta gravou todos os dias e o que seria um arquivo familiar, para uso doméstico, acabou virando um memorial de 32 minutos que ganhou vida própria, ao discutir o fim da existência. Ela contou que o filme ajudou a aplacar a dor da perda de todos: sua mãe costumava assistir ao vídeo quatro vezes por semana. Entretanto, havia uma questão delicada por trás da decisão de tornar o material público: sua irmã, Rachel, é rabina e a religião judaica não admite o suicídio assistido. Rachel também achava que aquela tinha sido uma experiência íntima demais para ser compartilhada, mas acabou mudando de ideia: “vi gente chorando tão profundamente nas exibições que me dei conta de que a morte do meu pai poderia aproximar pessoas de uma forma redentora”. Ela veio a público para explicar à comunidade judaica do Brooklyn, onde atua, sua posição em tema tão controverso – e passou a defender a implantação de legislação semelhante em Nova York.
A documentarista Ondi Timoner, vencedora duas vezes do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Sundance
Divulgação
A morte de Eli, ocorrida no início de 2021, é ainda a crônica da trajetória de um homem de grande sucesso profissional na primeira metade da vida, quando criou a Air Florida nos anos de 1970, empresa que oferecia voos baratos para a costa leste. Em 1982, aos 53 anos, teve um derrame que paralisou seu lado esquerdo e foi afastado da companhia pela diretoria, que achava que um homem com deficiência seria ruim para os negócios. Dali em diante enfrentou dificuldades e, embora os três filhos tenham se tornado bem-sucedidos, a culpa de ter falhado financeiramente com a família sempre o acompanhou. Ondi retrata a irmã recitando o viduy, oração que permite superar arrependimentos e, num dos momentos mais fortes da obra, Eli fala da mágoa de não ter conseguido ser um provedor para a mulher e os filhos. “Agora desejo que muitas pessoas assistam e façam as pazes consigo mesmas, para que isso não aconteça somente em seu leito de morte”, afirmou a rabina.
A família Timoner, retratada no documentário sobre o patriarca, Eli, que optou pelo suicídio assistido
Divulgação

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Mais lidas

Receba nossas notícias

Cadastrar email

Sem spam, apenas notificações sobre as últimas notícias e artigos.

Ver mais notícias sobre:

Continue lendo

Posts relacionados