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Congresso mostra a desigualdade sexual existente no mundo

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No Quênia, a população ainda se vale de curandeiros. Na Dinamarca, o Projeto SEXUS visa a implementar políticas públicas mais eficazes na área da sexualidade Assim como na quinta-feira, quando abordei a síndrome geniturinária da menopausa, continuarei a tratar de questões que vieram à tona no 23º. Congresso da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, que acompanhei on-line. No entanto, a coluna de hoje não será sobre uma apresentação específica, e sim sobre como um evento desse porte, com especialistas dos quatro cantos do planeta, deixa muito claro o tamanho da desigualdade que existe também no sexo.
Desigualdade sexual no mundo: no Quênia, a população ainda se vale de curandeiros; na Dinamarca, projeto visa a implementar políticas públicas na área da sexualidade
Sasin Tipchai para Pixabay
Na Dinamarca, por exemplo, o Projeto SEXUS reuniu informações, entre 2017 e 2018, de quase 75 mil dinamarqueses entre 15 e 89 anos. O objetivo é levantar dados sobre suas preferências, experiências e comportamentos para implementar políticas públicas eficazes nas áreas de sexualidade, estilo de vida e saúde – com a preocupação de não deixar de fora idosos, pacientes com doenças crônicas e a comunidade LGBTQIA+. Sobre a importância de ter uma vida sexual de qualidade, 81% responderam que sim, embora o percentual de indivíduos satisfeitos nesse campo seja mais modesto: 55%.
Em contrapartida, o professor Joachim Osur, da Amref International University, no Quênia, compartilhou as dificuldades que a medicina sexual enfrenta no país. “Há um manto de silêncio e de estigma relacionado a questões sexuais, que faz com que as pessoas não procurem os serviços especializados mesmo quando estão disponíveis. Ainda há quem apele para curandeiros”, afirmou, contando que um homem com disfunção erétil só buscou um profissional quando o curandeiro, depois de prescrever ervas para seu pênis (sem sucesso), disse que o problema seria resolvido com lágrimas de leão aplicadas no local…
A palestra do urologista e andrologista Vasan S S, que atua em Bangalore, Índia, causou certo desconforto na plateia. O assunto era a não consumação do casamento, que pode levar à sua anulação, causada principalmente por dois fatores: disfunção erétil masculina ou vaginismo feminino, que se caracteriza por forte dor que impede a penetração, provocada pela contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico. Ao eleger o vaginismo como tópico central da aula, e lembrar que injeções de botox (toxina botulínica) têm sido utilizadas com sucesso no tratamento, foi interpelado por uma das participantes sobre a ênfase em “curar” a mulher para que fique apta para ter relações com o marido, não levando em conta a importância de, em primeiro lugar, ela aprender a ter prazer com seu corpo.
Na sessão sobre traumas sexuais, Sue Goldenstein, especialista em saúde pública, falou sobre a mutilação sexual feminina, uma chaga que afeta 200 milhões de mulheres e se concentra em 30 países africanos e no Oriente Médio. No entanto, quis aprofundar a polêmica ao criticar como outros tipos de intervenção em crianças são realizados sem questionamento, dando como exemplo a circuncisão, que é a remoção do prepúcio dos meninos: “se essa criança depois se identifica com o sexo feminino, aquela intervenção trará mais um desafio para uma cirurgia de redesignação de sexo, porque a pele do prepúcio deveria ser utilizada para revestir a região da vagina”. Estamos apenas arranhando a superfície desse grande oceano.

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