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Como enterrar (literalmente) uma relação de conflitos com o pai

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No filme “Raymond and Ray”, dois meios-irmãos se veem confrontados com mágoas do passado, mas também têm a chance de superar velhos traumas “Raymond and Ray” conta a história de dois meios-irmãos na meia-idade, há anos sem contato com o pai. Eles o temiam na infância, por causa de surras cruéis e humilhações. Eles o odiaram na juventude – o casamento de um deles foi inclusive desfeito depois de sua mulher o trair com o sogro. No entanto, Raymond (Ewan McGregor) procura Ray (Ethan Hawke) para lhe dar a notícia da morte do algoz da dupla. A despedida desencadeia um turbilhão de emoções nesses homens adultos confrontados com suas memórias.
Ethan Hawke (Ray), à esquerda, e Ewan McGregor (Raymond) interpretam dois meios-irmãos em filme dirigido por Rodrigo García, filho do escritor Gabriel García Márquez
Divulgação
No conflituoso relacionamento familiar, o último desejo do pai autoritário é bizarro: que os filhos cavem a sepultura onde será enterrado. Essa também acaba sendo a imagem de um acerto de contas, do ato final para apaziguar ressentimentos e deixar o passado para trás.
Escrevi diversas colunas sobre relações tóxicas que provocam marcas profundas. A última delas, em setembro, tratava de mães abusivas, quando entrevistei Simone Domingues, psicóloga especialista em neuropsicologia, com pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille (França). Na ocasião, ela enfatizou a importância dos pais para a criação da nossa autoestima, para aprendermos a regular nossas emoções, e como a violência pode comprometer esse processo.
Os abusos – físicos, verbais e até sexuais – causam danos tão severos que as cicatrizes acompanham os indivíduos por toda a sua vida. Todos deveriam ter acesso a ajuda terapêutica, mas não é o que acontece. Muitos vivem existências dilaceradas, mas, como frisou a psicóloga, é fundamental a aceitação da própria história: “quando entendo e aceito que não dá para modificar o que houve, posso construir um caminho próprio e valioso”.
No enterro, os meios-irmãos que, na verdade, têm o mesmo nome – o que teria sido mais uma “pegadinha” paterna – conhecerão outros membros de uma família fruto do comportamento errático do patriarca. Embora a violência seja injustificável, Harris (Tom Bower) é apresentado como um homem que só conseguiu deixar as relações abusivas para trás no fim da vida. A produção da Apple TV é dirigida por Rodrigo García, filho do escritor Gabriel García Márquez. O filme, lançado no Festival de Toronto em setembro, está disponível no streaming.

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