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“Ainda temos que convencer as famílias sobre a importância do cuidador”, diz especialista

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Formação do profissional torna-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento da população e do aumento do número de casos de demência Sandra Rabello foi uma das responsáveis pela criação do primeiro curso de formação de cuidadores de idosos no Rio de Janeiro, em 1997, uma iniciativa da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), da UERJ. Tornou-se uma defensora incansável da profissionalização e regulamentação da atividade, cuja demanda só vem crescendo num cenário que soma o progressivo envelhecimento da população ao crescimento do número de casos de demência.
Sandra Rabello, coordenadora de extensão da UnATI/UERJ e presidente do departamento de gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, seção Rio de Janeiro
Divulgação
“As famílias ainda precisam de argumentos sobre a importância do cuidador qualificado. Diante das dificuldades de lidar com um parente com demência, instala-se uma crise familiar, costumamos dizer que todos adoecem. Nesse quadro, o que move as pessoas é a urgência de arranjar alguém para tomar conta do idoso, e nem sempre há interesse em saber se o profissional é capaz de fazer o trabalho para o qual foi contratado”, afirma.
Atualmente, Sandra continua firme e forte na UnATI – que, em 2023, completará 30 anos – onde é coordenadora de extensão. Além disso, preside o departamento de gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, seção RJ. O trabalho da Universidade Aberta da Terceira Idade ganhou tal reconhecimento que ela está a caminho de se transformar no Instituto do Envelhecimento, ganhando o status de unidade acadêmica. Ali, a formação de um cuidador requer uma carga horária de 160 horas e estágio supervisionado numa instituição. “Nós nos tornamos parceiros da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, que também ofereciam cursos, para juntos criarmos uma rede organizada que fortalecesse a causa”, conta.
No entanto, depois de dez anos no Congresso, o projeto de regulamentação da profissão, da então senadora Marta Suplicy, foi rejeitado pelo presidente Jair Bolsonaro em 2019. “Voltamos à estaca zero depois de anos de luta”, avalia, sem se abater. “Em janeiro, vamos aproveitar a nova legislatura e retomaremos a campanha pela política nacional de cuidados, dando visibilidade à questão da demência”, completa. Há um novo projeto, do senador Paulo Paim (PT/RS), mas persiste o embate com os conselhos de enfermagem, que alegam que as atribuições descritas como sendo de cuidadores são, na verdade, de enfermeiros.
Diante do aumento do piso para esta categoria, que passou a ser de R$ 4.750,00 – suspenso pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso, que deu prazo de 60 dias para que estados, municípios o governo federal informem a extensão de seu impacto financeiro – Sandra observa: “é provável que ocorram demissões nas instituições de longa permanência e o trabalho recairá sobre os cuidadores”. Uma das bandeiras desse grupo que milita pelo envelhecimento é pela implantação de centros dia, onde os idosos possam realizar diferentes atividades e depois voltar para casa. “É onde poderemos qualificar as equipes e ampliar o leque de opções para que as famílias não tenham que institucionalizar o idoso”, explica.

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